
{"id":873,"date":"2020-05-01T15:58:41","date_gmt":"2020-05-01T18:58:41","guid":{"rendered":"https:\/\/johariconsultoria.com.br\/?p=873"},"modified":"2020-06-09T21:07:33","modified_gmt":"2020-06-10T00:07:33","slug":"qual-e-o-sentido-do-trabalho-pra-voce","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/johariconsultoria.com.br\/index.php\/qual-e-o-sentido-do-trabalho-pra-voce\/","title":{"rendered":"Qual \u00e9 o sentido do trabalho pra voc\u00ea?"},"content":{"rendered":"<p>Ao longo dos anos e da hist\u00f3ria, o trabalho foi ganhando diferentes significados.<\/p>\n<p>Na Idade M\u00e9dia traz o conceito de co-cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A revolu\u00e7\u00e3o industrial traz o conceito de\u00a0<em>homo economicus<\/em>, no qual o trabalho \u00e9 fundamentado sob o ponto de vista econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Para Marx o trabalho \u00e9 elevado como principal via de acesso \u00e0 ess\u00eancia humana. Tinha o papel principal na defini\u00e7\u00e3o do ser, por meio dele o homem se externalizava, ele agia e se transformava por meio de seu trabalho.<\/p>\n<p>O mundo moderno estiliza uma outra face da realidade: para sobreviver nesse ambiente tantos diplomas, masters, competitividade alta \u00e9 preciso transmitir a imagem do sucesso, da carreira bem sucedida, do \u201csuper-profissional\u201d.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, chega um momento em que todo ser humano depara com uma quest\u00e3o fundamental: se \u00e9 ou se foi feliz ou n\u00e3o? E nesse momento, as m\u00e1scaras podem cair e esse \u201csuper \u2013 profissional\u201d vivenciar uma outra realidade.<\/p>\n<p>A din\u00e2mica atual do mercado \u00e9 marcada por mudan\u00e7as constantes e uma sensa\u00e7\u00e3o de incerteza em rela\u00e7\u00e3o ao futuro. A cada momento o profissional est\u00e1 envolvido em um novo projeto, ou mesmo em uma nova empresa, o que dificulta a constru\u00e7\u00e3o de uma narrativa linear em rela\u00e7\u00e3o a forma\u00e7\u00e3o de sua identidade.<\/p>\n<p>Richard Sennett em seu livro A Corros\u00e3o do Car\u00e1ter, mostra como capitalismo flex\u00edvel, com suas mudan\u00e7as constantes e vis\u00e3o de curto prazo, afeta a constru\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter e cria la\u00e7os fracos.\u00a0 Sennett diz: \u201cAs condi\u00e7\u00f5es de tempo no novo capitalismo criaram um conflito entre car\u00e1ter e experi\u00eancia, a experi\u00eancia do tempo desconjuntado amea\u00e7ando a capacidade das pessoas transformar seus caracteres em narrativas sustentadas.\u201d<\/p>\n<p>Essas aus\u00eancias de narrativas sustentadas podem acarretar um outro aspecto da infelicidade dos profissionais: a aus\u00eancia de sentido naquilo que fazem.<\/p>\n<p>Fernando Bendassolli em seu livro Trabalho e Identidade em tempos sombrios diz: \u201cMudan\u00e7as constantes nas tarefas impedem a exist\u00eancia desse tempo apropriado para os relacionamentos consolidarem-se em h\u00e1bitos ou regras que ent\u00e3o passam a governar os relacionamentos\u201d.<\/p>\n<p>As consequ\u00eancias, para Durkheim, s\u00e3o graves: se o indiv\u00edduo trabalha sem saber para que ou para onde isso o levar\u00e1, s\u00f3 lhe resta seguir a rotina, num movimento mon\u00f3tono e repetitivo sem interesse. A anomia seria um estado semelhante \u00e0quele da aliena\u00e7\u00e3o: em ambos os casos \u00e9 aus\u00eancia de prop\u00f3sito, de sentido, que est\u00e1 em quest\u00e3o \u2013 para Marx, a falta de sentido pelo fato do trabalho n\u00e3o poder mais realizar o homem; para Durkheim, a falta de sentido pelo fato do indiv\u00edduo n\u00e3o participar de uma consci\u00eancia comum.<\/p>\n<p>Diante desse cen\u00e1rio, uma nova gera\u00e7\u00e3o est\u00e1 invadindo o mercado de trabalho para o mundo corporativo. Uma gera\u00e7\u00e3o que diferente de seus pais, quebram rapidamente os v\u00ednculos com as empresas e permanecem nelas apenas enquanto o trabalho ainda fa\u00e7a sentido.<\/p>\n<p>A rota\u00e7\u00e3o n\u00e3o os assusta (a situa\u00e7\u00e3o do mercado lhes permite isso) e, apesar de se motivarem a escalar posi\u00e7\u00f5es, n\u00e3o \u00e9 tanto pelo que estas representam em poder, mas porque implicam reconhecimento e maior possibilidade de colocar em marcha suas iniciativas.<\/p>\n<p>O que marca mesmo a nova gera\u00e7\u00e3o \u00e9 a busca de um grande significado no que fazem. Esta gera\u00e7\u00e3o tem observado seus pais obterem a recompensa do trabalho duro: casas, carros e riqueza material. No entanto, eles t\u00eam visto os custos do sucesso dos pais em termos de casamentos desfeitos, pais ausentes, e uma epidemia de doen\u00e7as relacionadas com estresse.<\/p>\n<p>Os jovens desta gera\u00e7\u00e3o n\u00e3o vivem para trabalhar, mas sim trabalham para viver. O trabalho apenas fornece a renda para fazer o que eles realmente querem fazer. Eles est\u00e3o em busca de divers\u00e3o, amizades de qualidade, prop\u00f3sitos repletos de sentido e para o significado espiritual .<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 apenas ac\u00famulo de dinheiro ou status social que est\u00e1 em jogo para eles. Investigando a simbologia do trabalho para esses jovens, observamos alguns novos significados. Eles n\u00e3o negam quest\u00f5es funcionais, como dinheiro e estabilidade, mas a diferen\u00e7a \u00e9 que n\u00e3o param por a\u00ed. Encontramos muitos jovens conectando sua realiza\u00e7\u00e3o pessoal \u00e0 profiss\u00e3o dos seus sonhos. Essas buscas n\u00e3o s\u00e3o dissociadas, elas v\u00eam juntas.<\/p>\n<p>O trabalho \u00e9 cada vez menos visto como necessidade, e cada vez mais como elemento de realiza\u00e7\u00e3o e express\u00e3o. Os exemplos profissionais mais admirados s\u00e3o aqueles que conseguem aliar as duas coisas. Uma n\u00e3o menos importante que a outra. Ambas integradas. Essa \u00e9 uma nova no\u00e7\u00e3o de sucesso que ganha for\u00e7a.<\/p>\n<p>Essa traz consigo uma nova forma de lidar com o trabalho, contudo as empresas ainda n\u00e3o absorveram todos os aspectos valorizados por esses jovens.<\/p>\n<p>O que fica evidente \u00e9 que algo est\u00e1 errado no formato atual de trabalho, pois 84% dos executivos est\u00e3o infelizes. Resta saber se a nova gera\u00e7\u00e3o conseguir\u00e1 presenciar a incorpora\u00e7\u00e3o dos novos valores trazidos por ela ou se isso ficar\u00e1 com a Gera\u00e7\u00e3o futura.<\/p>\n<p>E para n\u00f3s que continuamos no mercado de trabalho nessa fase atual, vale a pena resgatar o sentido que o trabalho tem em nossas vidas.\u00a0 E, independente da gera\u00e7\u00e3o que estivermos, sempre h\u00e1 a possibilidade da mudan\u00e7a e de buscarmos o sentido naquilo que fazemos.<\/p>\n<p>Vale a pena nos perguntarmos: Por que trabalhamos? Ou melhor, por que vivemos?\u00a0 Apesar desse tipo de pergunta ser desconfortante, \u00e9 melhor fazermos isso agora do que mais tarde.<\/p>\n<p>\u00c9 melhor encontrarmos um tempo para pensarmos nisso agora do que esperarmos a \u00e9poca da nossa \u201caposentadoria\u201d na qual teremos um tempo livre para cantarmos:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u201c<em>Devia ter amado mais, ter chorado mais, ter visto o sol nascer. Devia ter arriscado mais, at\u00e9 errado mais, ter feito o que eu queria fazer\u2026 Devia ter complicado menos, trabalhado menos, ter visto o sol se p\u00f4r\u2026<\/em>\u201d<br \/>\n(<em>Epit\u00e1fio \u2013 Tit\u00e3s \u2013 Composi\u00e7\u00e3o: S\u00e9rgio Britto<\/em>).<\/p>\n<p>Texto adaptado<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/revistagalileu.globo.com\/Revista\/Galileu\/0,,EDG87165-7943-219,00-GERACAO+Y.html\">http:\/\/revistagalileu.globo.com\/Revista\/Galileu\/0,,EDG87165-7943-219,00-GERACAO+Y.html<\/a><\/p>\n<p><em><a href=\"http:\/\/www.hsm.com.br\/editorias\/geracao-y-73-em-2025\">http:\/\/www.hsm.com.br\/editorias\/geracao-y-73-em-2025<\/a><\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.oficinaestrategia.com\">www.oficinaestrategia.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao longo dos anos e da hist\u00f3ria, o trabalho foi ganhando diferentes significados. Na Idade M\u00e9dia traz o conceito de co-cria\u00e7\u00e3o. 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